A ARTE DE BRINCAR!
“É lamentável, mas os dias andam tão maus que as crianças já não sabem mais brincar”. (Cecília Meireles)
Em dias tranqüilos, as crianças gostavam de suas cantigas de roda, à noite brincavam pelos quintais, pelas ruas, jardins e praças. Tinham jogos cantados e falados, esboços de teatro e assim se entretinham alegremente. Os brinquedos simples, primitivos e eternos, fáceis de obter e de conservar, não podiam faltar nem mesmo para às mais pobres.
Esses jogos, quase todos de grupo, estabeleciam relações sociais de cordialidade, entre as crianças. Muitas amizades nasceram de partidas de gude ou “cinco Marias”, de cirandas e de jogos de artifícios. Isso fazia com que elas não se preocupassem com as competições dos jogos nem mesmo às rivalidades. Em épocas como essas poderiam encontrar a tolerância, a admiração, a justiça e outras coisas mais.
As crianças de hoje parecem irritadas e desnorteadas. Os dias andam tão maus que parecem que tudo é motivo de preocupações e conflitos entre as pessoas. Atmosfera como essa que não dá ao menos a chance delas apreciarem a beleza simples das pequenas coisas e admitir outras vidas, além da sua, neste mundo tão grande.
“Os jogos do passado” tendem a desaparecer, e os brinquedos mecânicos os substituem. Mas das coisas que merecem ser lembradas era a barateza daqueles jogos. Não há rua tão infeliz que não tenham pelo menos uma dúzia de crianças.
Agora com as bicicletas, patins e automóveis destes tempos de velocidade, a história é outra. Nem todos os pais podem adquirir coisas tão caras para as suas crianças. E o resultado é mais lamentável ainda quando uma boa parte da criançada sofre profundamente por ver essas belas máquinas fora do alcance das suas possibilidades.
Os pais não devem se lamentar em não dá a seus filhos essas máquinas atraentes, por que podem causar um grande mal eles, aumentado o interesse naturalmente suscitados por essas coisas. O necessário a fazer, é inspirar essa garotada a sedução profunda de coisas que não custam nada, ou custam muito pouco, e encerram uma poesia delicada é imortal.
[...] A arte de brincar vai se perdendo. A máquina está gastando a infância. Qualquer dia as criaturas nascerão de barbas brancas, como Lao-Tsé. Oxalá se vierem com a sua sabedoria.
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