O Amapá é um grande produtor de pescado e possui uma imensa diversidade de peixe. Tendo a sua costa litorânea uma extensão de
Além desse “mundão” de água doce, nós temos as praias de lama, os manguezais, onde os caranguejos se reproduzem e os mururés que servem de abrigo e de alimento para nossos peixes. Temos ainda, o rio Araguari, que constitui a maior bacia hidrográfica do Estado e os rios Flexal, Jarí, Tartarugalgrande, Cassiporé e Calçoene, com um grande estoque de peixes.
Nós pescadoras e pescadores, somos pessoas nascidas e criadas na beira do rio; somos apenas pescadores em um barco grande a meses longe de casa; somos pais e mães de famílias pescando para dar o que comer aos nossos filhos. Todos dependentes do que a água doce e salgada nos oferecem, principalmente os peixes.
A pesca predatória é um problema que enfrentamos o tempo todo. Tem pescador que não está nem aí com o período do Defeso. Não respeita a Piracema e ainda pega peixes acima de sua capacidade de recuperação. Além do mais, o homem também pode contribuir para a escassez de alimento dos peixes, destruindo as casas de nossos peixinhos, tocando fogo na beira do rio, jogando sobras de madeiras, e também provocando o assoreamento. Sem falar no uso do timbó e do cunambi, que mata peixes de todos os tamanhos, e o sumo venenoso destrói a vida aquática do local e depois o próprio igarapé, o lago, igapó e o rio.
Mais quais são as nossas principais responsabilidades? Deve-se respeitar a época da desova, pescando apenas o que for usar para a sua subsistência. Usar malhadeiras apropriadas para cada tipo de pescado, para não capturar peixes menores, abaixo dos limites mínimos estabelecidos. E se isto acontecer, devolvê-los para o rio. Procure não retirar do ambiente aquático a canarana e a pré-membeca, plantas que servem de alimento para os peixes. Não usar substâncias venenosas na pescaria, como o timbó e o cunambi. Não participar de pescarias predatórias e, sempre que possível, denunciá-las aos órgãos competentes. Também evite destruir as cabeceiras dos rios, as ressacas, os mangues e os lagos, que são locais propícios a reprodução e desenvolvimento dos cardumes.
Hoje é gente vindo de todo lugar, levando o nosso peixe e ainda sujando nossas águas. E o pior, é que muita gente acaba fazendo a mesma coisa.
É meu amigo, a vida não está fácil, não! Vamos contribuir para amenizar essa situação.
Marlúcia Duarte
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