terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MERCADO CENTRAL: UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Por Jéssica Alves e Felipe Pinto – 4JRN

O Mercado Central da cidade de Macapá é conhecido como um grande marco para a história da cidade, haja vista que foi o ponto de referência de vendas macapaense. Inaugurado no dia 13 de setembro de 1953, pelo então prefeito Claudomiro de Moraes, dez anos, após a criação do Território Federal do Amapá, foi um marco nas obras do governador Janary Nunes.
Este espaço desperta curiosidades até para os amapaenses que passaram a conhecer mais este espaço depois da popularização do Parque do Forte, conhecido popularmente como “Lugar Bonito” e com a inclusão do próprio prédio como atração turística.
Anos atrás, era o principal centro de vendas da cidade, onde a população de deslocava de vários bairros (a cidade ainda era considerada pequena), para fazer compras. As principais vendas eram no setor de carnes, granjeiro e frutas e verduras. Com o passar do tempo e a expansão da cidade, o Mercado Central foi perdendo cada vez mais espaço para a criação de frigoríficos, supermercados e comércios. Isto é um grande fator para as quedas nas vendas do Mercado Central.

Na parte interna foram construídos 16 boxes para a comercialização de carne e outros 20 boxes para a venda de gêneros alimentícios oriundos de vegetais. Hoje em dia funcionam apenas seis boxes para as vendas. No lugar dos outros se encontram lanchonetes e restaurantes.
Além disso, outro fator para a falta de demanda, principalmente para o setor de venda de carne, são as condições físicas do prédio, que é antigo e não possui as condições de higiene necessárias, e tem o seu produto sendo vendidos ao ar livre, com o risco de proliferação de moscas e outros parasitas no alimento.
Entre esses e outros motivos, fica evidente que no setor de vendas o Mercado Central talvez não volte a ser como antes, pois com a popularização de outras formas de comercio neste setor hortifrutigranjeira o prédio não consegue alcançar novos fregueses.
Segundo os trabalhadores do Mercado, os governantes da cidade apenas prometem fazer reformas e oferecer melhores condições de serviço para eles. “Eles veem aqui e dizem que vão reformar, mas só ficam na promessa”, diz um trabalhador, “não tenho esperança que ele melhore” conclui.
Diferente de Macapá, o número de cidades que transformaram seus mercados centrais em centros de cultura e comércio de gêneros exóticos é grande, como por exemplo, a nossa capital vizinha Belém, que transformou o Ver-o-Peso que fez história e ainda gera muita renda.

Mas não é por isso que a história deste centro deve ser esquecida, sendo ele um verdadeiro patrimônio histórico e cultural de Macapá. Este que ajudou a tecer a identidade do povo amapaense. Hoje um grupo denominado de Amigos do Mercado Central luta para preservar o local como patrimônio amapaense. Entre eles, está Luiz Nery, filho de Pedro Nery, o falecido proprietário do Bar Du Pedro, no qual hoje seu filho toma conta do negócio.
E com isso o Mercado Central merece ser reconhecido como patrimônio histórico, pois além de ter feito parte da história amapaense, ainda é um centro de referência, não de vendas, mas de cultura e identidade do popular da cidade. Se constituir em um riquíssimo Patrimônio para o povo do Amapá, pois não somente representa uma fonte para estudos arquitetônicos, mas, principalmente, por ter sido um local onde aglutinou e aglutina uma riquíssima diversidade de identidades amapaenses.
Não se pode simplesmente deixar de lado tamanha construção para que se atenda a objetivos estritamente comerciais. Existem diversas maneiras de se valorizar uma obra como esta sem sacrificar a nossa memória. Seria o caso de uma estruturação em forma de galeria, por exemplo. É claro que temos como objetivo primeiro que tomar atitudes visando a não destruição do Mercado Central, mas seria o caso de pensarmos em o que fazer com ele. Não é necessário que ele seja sempre um mercado.
A sombra da onipotente Fortaleza de São José de Macapá resta ao Mercado Central alguns poucos olhares desprendidos dos roteiros turísticos da cidade. Apesar dos pesares, o Mercado ainda está lá, não tão firme, mas sempre forte.

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